A cirurgia de tornozelo com placa e pino é a fixação interna de uma fratura: o ortopedista recoloca os ossos quebrados na posição certa e os prende com uma placa de metal e parafusos. O osso leva de seis a oito semanas para consolidar.
O tornozelo é uma articulação de encaixe justo. Quando a fratura desloca os ossos, mesmo poucos milímetros fora do lugar mudam a forma como a carga passa pela cartilagem, e isso pode levar a dor e artrose anos depois. Gesso e bota seguram o tornozelo parado, mas não recolocam os fragmentos no lugar. A placa e os parafusos fazem isso.
Abaixo estão o que são a placa e o “pino”, quais fraturas precisam de cirurgia, como é o procedimento, como é a recuperação semana a semana, os riscos, a fisioterapia e quando o material precisa ser retirado.
O que são a placa e o pino
A placa é uma lâmina de titânio ou aço cirúrgico, com furos, moldada no formato do osso. Ela é presa por parafusos e funciona como uma tala interna, mantendo os fragmentos unidos enquanto o osso cola.
“Pino” é o nome popular para os parafusos e fios metálicos usados junto com a placa. Na maioria das cirurgias de tornozelo, o que se usa são:
- Placa com parafusos na fíbula: o osso fino do lado de fora da perna, que forma o maléolo lateral. É a fixação mais comum.
- Parafusos no maléolo medial: a saliência do lado de dentro do tornozelo, que é ponta da tíbia. Fragmentos pequenos costumam ser fixados só com dois parafusos ou com fios.
- Fixação da sindesmose: quando o ligamento que une a tíbia e a fíbula também rompeu, o cirurgião coloca um parafuso entre os dois ossos ou um dispositivo com fio de alta resistência, o “botão de sutura”.
Quando a cirurgia com placa e pino é indicada
Nem toda fratura de tornozelo precisa de cirurgia. Fraturas sem deslocamento e com o tornozelo estável são tratadas com bota ou gesso. A cirurgia é indicada quando:
- Os ossos saíram do lugar: o fragmento está deslocado e não fica na posição certa só com a imobilização.
- O tornozelo está instável: a fratura atinge os dois lados do tornozelo (fratura bimaleolar) ou os dois lados e a parte de trás da tíbia (trimaleolar).
- Houve lesão da sindesmose: o ligamento entre a tíbia e a fíbula rompeu e o encaixe do tálus ficou frouxo.
- A fratura atinge a cartilagem: o traço chega à superfície da articulação e forma um degrau.
- A fratura é exposta: o osso rompeu a pele, o que exige limpeza cirúrgica e estabilização.
A altura da fratura na fíbula também conta
Os ortopedistas usam a classificação de Weber, que olha onde a fíbula quebrou em relação à sindesmose:
- Weber A: a fratura fica abaixo da sindesmose. Em geral o tornozelo é estável e o tratamento é feito com bota.
- Weber B: a fratura fica na altura da sindesmose, quase sempre depois de uma torção com rotação. Se o ligamento do lado de dentro do tornozelo, o deltoide, ou a sindesmose também romperam, a cirurgia é indicada.
- Weber C: a fratura fica acima da sindesmose, que quase sempre está rompida. A cirurgia é indicada em praticamente todos os casos.
Quando a fíbula quebra e o ligamento deltoide rompe ao mesmo tempo, o tornozelo se comporta como se os dois lados estivessem fraturados. Nesses casos, além de fixar a fíbula com placa, o cirurgião pode reparar o deltoide por dentro da articulação, sem abrir o lado de dentro do tornozelo. A técnica foi descrita em estudo do qual o Dr. Daniel Baumfeld é coautor (Baumfeld TS, Kuffner M, Baumfeld DS et al. Foot Ankle Spec. 2026).
O que acontece se uma fratura com indicação cirúrgica não for operada
Tratada só com gesso, uma fratura desviada ou instável pode colar fora do lugar ou não colar. O encaixe do tornozelo fica torto, a cartilagem gasta mais rápido e, em poucos anos, aparecem dor ao pisar, rigidez e artrose. Corrigir isso depois é mais difícil e, em casos avançados, exige cirurgias como a artrodese do tornozelo.
Para entender cada tipo de lesão, veja a fratura do maléolo medial e do maléolo lateral e os sintomas da fratura na fíbula distal.
Como é feita a cirurgia
Antes da cirurgia
O ortopedista examina a perna, confere a circulação e a sensibilidade do pé e pede raio-X do tornozelo. Em fraturas que atingem a articulação ou a parte de trás da tíbia, a tomografia ajuda a planejar onde colocar cada parafuso.
O momento da cirurgia depende do inchaço. Ela pode ser feita nas primeiras horas após a queda, antes de o tornozelo inchar. Se o inchaço já estiver grande ou houver bolhas na pele, o tornozelo é imobilizado com a perna elevada e a cirurgia espera de sete a dez dias, até a pele voltar a enrugar. Operar com a pele muito esticada aumenta o risco de a ferida abrir e infeccionar.
Durante a cirurgia
A anestesia costuma ser raquidiana ou um bloqueio dos nervos da perna, com sedação. Depois, o cirurgião:
- faz um corte na pele sobre o osso quebrado, do lado de fora do tornozelo, do lado de dentro ou dos dois;
- afasta os tecidos, limpa o foco da fratura e recoloca os fragmentos na posição original;
- fixa o osso com a placa e os parafusos e confere a posição com raio-X durante a cirurgia;
- testa a estabilidade entre a tíbia e a fíbula e, se houver folga, fixa a sindesmose;
- fecha a pele com pontos e imobiliza o tornozelo com tala ou bota.
O procedimento dura, em geral, de uma a duas horas, conforme o número de ossos fixados. Veja mais sobre quantas horas dura a cirurgia de tornozelo. A maioria dos pacientes recebe alta no mesmo dia ou no dia seguinte.
Recuperação semana a semana
Os prazos abaixo valem para a maioria das fraturas fixadas com placa. Fraturas com lesão da cartilagem ou em pacientes com diabetes e osteoporose costumam levar mais tempo. Quando a sindesmose foi fixada com parafuso rígido, o apoio total costuma esperar até a oitava ou décima semana, para o parafuso não quebrar com o peso do corpo. Com o botão de sutura, o apoio pode ser liberado antes.
- Primeiras duas semanas: perna elevada acima do nível do coração a maior parte do dia, curativo fechado e uso de muletas sem apoiar o pé operado. Os pontos são retirados entre 10 e 14 dias.
- De duas a seis semanas: troca da tala pela bota imobilizadora e início dos exercícios de movimento do tornozelo. Quando a fixação é firme, muitos cirurgiões liberam o apoio parcial na bota já nessa fase.
- De seis a oito semanas: com o raio-X mostrando o osso consolidado, o apoio total é liberado e a bota é retirada aos poucos.
- De dois a quatro meses: caminhada sem muletas, fisioterapia para força e equilíbrio e volta às atividades do dia a dia. O tornozelo ainda incha no fim do dia.
- De quatro a doze meses: retorno à corrida e aos esportes. O inchaço residual e alguma rigidez podem durar até um ano.
A volta ao trabalho depende da função: quem trabalha sentado costuma voltar entre duas e seis semanas, e quem passa o dia em pé ou carrega peso, entre três e quatro meses. Veja o tempo de afastamento após fratura no tornozelo, quanto tempo depois da cirurgia é possível dirigir e como é o procedimento e a recuperação da cirurgia de pé e tornozelo de forma geral.
Fisioterapia depois da cirurgia
A placa segura o osso, mas não devolve o movimento nem a força. Depois de semanas parado, o tornozelo perde mobilidade, a panturrilha afina e o equilíbrio piora. A fisioterapia começa assim que o cirurgião libera, em geral entre duas e seis semanas, e segue estas etapas:
- Movimento: exercícios para dobrar e esticar o tornozelo, com o pé ainda sem carga, e controle do inchaço com gelo e elevação.
- Carga e marcha: transferência gradual do peso para o pé operado e treino para caminhar sem mancar.
- Força: exercícios com elástico e de ponta de pé para a panturrilha e os músculos ao redor do tornozelo. Veja como funciona o fortalecimento do tornozelo na fisioterapia.
- Equilíbrio e retorno ao esporte: treino em superfícies instáveis, saltos e corrida, liberados conforme o teste de força e a confiança no tornozelo.
Nas primeiras semanas de volta à atividade, é comum ter câimbra no tornozelo e na panturrilha, que melhora com alongamento e hidratação. Veja também os exercícios de fisioterapia para o tornozelo.
Riscos e complicações
A maioria dos pacientes se recupera sem complicações, mas é preciso conhecer os riscos:
- Problemas na ferida: a pele do tornozelo é fina, e a ferida pode demorar a fechar ou abrir, principalmente em fumantes, diabéticos e quando a cirurgia é feita com o tornozelo muito inchado.
- Infecção: pode ser superficial, tratada com antibiótico, ou profunda, chegando ao osso e ao material, o que pode exigir nova cirurgia.
- Trombose: a imobilização e o tempo sem apoiar o pé aumentam o risco de coágulos nas veias da perna. Movimentar os dedos, elevar a perna e, quando indicado, usar anticoagulante reduzem esse risco. Conheça os sintomas da trombose no tornozelo.
- Incômodo com o material: a placa fica logo abaixo da pele e pode incomodar no contato com o calçado ou ser sentida ao toque.
- Lesão de nervo: um ramo de nervo que passa sobre a fíbula pode ser irritado e deixar dormência no peito do pé.
- Falha na consolidação ou perda da fixação: rara, mais comum em fumantes, em osso com osteoporose e quando o pé recebe carga antes da hora.
- Rigidez e artrose: parte do movimento pode não voltar por completo, e fraturas que atingiram a cartilagem têm mais risco de artrose anos depois.
Para uma visão mais ampla, veja os riscos da cirurgia de tornozelo.
Sinais de alerta no pós-operatório
Procure o cirurgião ou um pronto-atendimento se aparecer:
- febre acima de 37,8 °C;
- dor forte e repentina na panturrilha, com inchaço e a batata da perna endurecida, que pode ser trombose;
- falta de ar ou dor no peito;
- secreção, mau cheiro ou sangramento que encharca o curativo;
- dedos do pé frios, pálidos, roxos ou sem sensibilidade.
A placa precisa ser retirada?
Na maioria das pessoas, não. A placa e os parafusos podem ficar no osso para sempre sem causar problemas. A retirada é indicada quando o material incomoda no calçado, causa dor no lugar onde está, quando há infecção ou, em alguns casos, para tirar o parafuso que fixa a sindesmose.
Quando é necessária, a retirada da placa é feita depois que o osso está consolidado, em geral a partir de um ano após a fixação. É uma cirurgia mais simples que a primeira, com recuperação de poucas semanas.
Quanto custa a cirurgia de tornozelo com placa e pino
O valor varia conforme o tipo de fratura, a quantidade de material usada para a fixação, o hospital, o tempo de internação e a equipe. A cirurgia para tratar fratura do tornozelo tem cobertura dos planos de saúde e também é feita pelo SUS. Para quem opta pelo particular, o orçamento é feito depois da consulta e dos exames, quando o cirurgião define o material necessário.
Perguntas frequentes sobre cirurgia de tornozelo com placa e pino
1. Quanto tempo depois da cirurgia posso pisar?
Depende da fratura e da firmeza da fixação. Em muitos casos, o apoio parcial na bota começa entre duas e seis semanas, e o apoio total é liberado entre seis e oito semanas, quando o raio-X mostra o osso consolidado. Quem define o momento é o cirurgião.
2. A cirurgia de tornozelo com placa dói?
Durante a cirurgia, não, por causa da anestesia. Nos primeiros dias, a dor é controlada com analgésicos, gelo e a perna elevada. Ela diminui bastante depois da primeira semana.
3. A placa no tornozelo apita no detector de metais?
Em geral, placas e parafusos pequenos não disparam os detectores de aeroporto, mas os aparelhos mais sensíveis podem acusar o metal. Vale levar um relatório médico informando que há material de fixação no tornozelo.
4. Posso fazer ressonância magnética com placa no tornozelo?
Sim. Placas e parafusos de titânio e de aço cirúrgico usados na ortopedia permitem a ressonância. O metal pode gerar distorção na imagem perto do tornozelo, e o paciente deve sempre avisar a equipe do exame que tem o material.
5. Quando posso voltar a dirigir?
Com o tornozelo esquerdo operado e carro automático, a volta costuma ser mais rápida. Com o tornozelo direito, é preciso ter força para frear com segurança, o que em geral acontece entre nove e doze semanas, depois da liberação do apoio total e sem dor para pisar no freio.
6. Quanto tempo dura a recuperação completa?
O osso consolida em seis a oito semanas, a caminhada normal volta entre dois e quatro meses, e a volta aos esportes acontece entre quatro e doze meses. O inchaço no fim do dia pode durar até um ano.
Conclusão
A cirurgia de tornozelo com placa e pino é o tratamento das fraturas que deslocam os ossos ou deixam a articulação instável. Recolocar os fragmentos no lugar e fixá-los com placa e parafusos protege a cartilagem e reduz o risco de artrose no futuro. A recuperação exige algumas semanas sem apoiar o pé, uso de bota e fisioterapia, e a maioria dos pacientes volta à rotina entre dois e quatro meses. Na maior parte dos casos, a placa não precisa ser retirada.
Se você fraturou o tornozelo ou recebeu a indicação de operar, leve suas radiografias ao Dr. Daniel Baumfeld e saiba se a sua fratura precisa de placa ou pode ser tratada sem cirurgia.



