Dor no dorso do é ao pisar - Dr. Daniel Baumfeld

Dor no Dorso do Pé ao Pisar: Causas e Como Tratar

A dor no dorso do pé ao pisar costuma vir de tendinite dos extensores, fratura por estresse nos metatarsos, artrose do meio do pé ou calçado apertado. O tratamento inclui repouso relativo, gelo, ajuste do calçado e anti-inflamatório com orientação médica. Se durar mais de duas semanas, procure avaliação.

O dorso é a parte de cima do pé, também chamada de peito do pé. A pele ali é fina e quase não há gordura, então tendões, ossos e nervos ficam logo abaixo da superfície e sentem qualquer pressão do sapato ou sobrecarga da caminhada.

O momento em que a dor aparece ajuda a encontrar a causa. Dor ao encostar o calcanhar no chão, ao apoiar o peso do corpo ou ao empurrar o chão com os dedos apontam para estruturas diferentes.

Por que o dorso do pé dói ao pisar?

Dor no dorso do pé ao pisar
A cada passo, o pé passa por três fases, e cada uma exige uma parte diferente do dorso.

  • Toque do calcanhar: os tendões extensores, que passam por cima do pé, seguram a ponta do pé para ela não bater no chão. Se estão inflamados, a dor aparece nessa hora.
  • Apoio do peso: o arco do pé abaixa um pouco e as articulações do meio do pé são comprimidas na parte de cima. Artrose e lesões nessa região doem nesse momento.
  • Impulsão: o calcanhar sobe e a carga vai para os metatarsos, os ossos longos que ligam o meio do pé aos dedos. Uma fratura por estresse dói principalmente aqui.

Este artigo trata da dor que aparece com a carga. As causas de dor no peito do pé em repouso, à noite ou sem relação com a caminhada estão reunidas no guia sobre dor na parte superior do pé.

Principais causas de dor no dorso do pé ao pisar

1. Tendinite dos extensores

É a inflamação dos tendões que levantam o pé e os dedos. Aparece depois de aumento de treino, caminhada em subida ou descida, ou uso de cadarço muito apertado. A dor fica ao longo do peito do pé, piora ao levantar os dedos contra resistência e pode vir com um inchaço discreto. Os detalhes estão no artigo sobre lesões do tendão extensor longo dos dedos.

2. Fratura por estresse

É uma fissura pequena no osso causada por impacto repetido, sem queda ou pancada. É comum em corredores, em quem começou a caminhar longas distâncias e em pessoas com osteoporose. O segundo e o terceiro metatarsos são os mais atingidos. A dor fica em um ponto específico, que dói ao apertar com o dedo, e piora a cada dia de atividade. O prazo de consolidação está no conteúdo sobre recuperação de fratura nos ossos do metatarso.

Quando a dor é mais alta, perto do tornozelo e do lado de dentro do pé, o osso envolvido pode ser o navicular. Essa fratura demora mais para cicatrizar e exige um período sem apoiar o pé. Saiba mais em dor no osso navicular do pé.

3. Artrose do meio do pé

O desgaste da cartilagem entre os ossos do meio do pé causa dor profunda ao apoiar o peso e ao subir escadas, com rigidez ao acordar. Com o tempo, a articulação forma bicos de osso que criam um calombo duro no peito do pé e passam a doer também pelo atrito com o sapato. Esse quadro é explicado no artigo sobre osso saltado em cima do pé.

4. Calçado ou cadarço apertado

Tênis amarrado com força, bota de cano rígido e sapato com fivela sobre o peito do pé comprimem tendões e nervos. A dor aparece durante o uso, melhora ao tirar o calçado e costuma vir com uma marca vermelha na pele.

5. Gota e outras artrites

A crise de gota começa de repente, muitas vezes de madrugada, com dor forte, vermelhidão, calor e inchaço. O dorso do pé e a base do dedão são locais comuns. Pisar fica quase impossível por alguns dias. A artrite reumatoide também inflama as articulações do pé, mas costuma afetar os dois lados e vir com rigidez prolongada pela manhã. O tratamento da crise está no conteúdo sobre gota no tornozelo.

6. Lesão de Lisfranc

É a lesão dos ligamentos que unem o meio do pé aos metatarsos. Acontece em torções com o pé apontado para baixo, quedas de altura e acidentes. Os sinais são dor forte ao apoiar, inchaço no peito do pé e, em muitos casos, uma mancha roxa na planta do pé. Passa despercebida com frequência porque o raio-x sem carga pode parecer normal.

7. Compressão de nervo

O nervo fibular profundo passa por cima do pé e pode ser apertado pelo calçado ou por um bico de osso. A dor é em queimação ou choque e vem com dormência entre o dedão e o segundo dedo.

E o neuroma de Morton?

O neuroma de Morton causa dor na planta do pé, perto do terceiro e do quarto dedos, com sensação de pisar em uma pedra. Ele não é uma causa típica de dor no dorso. Se a sua dor é embaixo do pé, veja o artigo sobre neuroma de Morton.

Como diferenciar as causas pelo momento da dor

Quando dói Causa mais provável Outros sinais
Ao encostar o calcanhar e ao levantar a ponta do pé Tendinite dos extensores Dor ao longo do peito do pé, piora com cadarço apertado
Ao empurrar o chão com os dedos Fratura por estresse do metatarso Ponto único de dor ao apertar, inchaço local, piora progressiva
Ao apoiar todo o peso e ao subir escada Artrose do meio do pé Rigidez ao acordar, calombo duro no dorso
Só com o sapato fechado Calçado apertado ou compressão de nervo Marca na pele, queimação, dormência entre os dedos
O tempo todo, com início súbito Gota Vermelhidão, calor, dor mesmo em repouso
Desde uma torção ou queda Lesão de Lisfranc ou fratura Inchaço grande, mancha roxa na planta do pé

Dor no dorso do pé direito ou esquerdo: faz diferença?

As causas são as mesmas nos dois lados. A dor em um pé só sugere um problema mecânico local, como tendinite, fratura por estresse, sequela de torção ou um calçado que aperta mais de um lado. O pé dominante e o pé que recebe mais carga na corrida ou no trabalho tendem a ser os mais afetados.

Quando os dois pés doem ao mesmo tempo, vale investigar artrite reumatoide, artrose nos dois lados, alteração do formato do pé ou um calçado inadequado usado todos os dias.

Sintomas que podem acompanhar a dor

  • Inchaço no peito do pé: aparece na tendinite, na fratura por estresse, na gota e depois de traumas. As causas estão detalhadas no artigo sobre dorso do pé inchado.
  • Dor ao apertar um ponto: quando é sobre o osso, levanta a suspeita de fratura por estresse.
  • Rigidez: dificuldade para mexer o pé ao acordar ou depois de ficar sentado, comum na artrose e nas artrites.
  • Formigamento ou dormência: indicam compressão de nervo.
  • Vermelhidão e calor: sugerem gota, artrite ou infecção.
  • Estalos ou sensação de areia: podem ocorrer na tendinite e na artrose.

Quando procurar o médico

  • Você não consegue apoiar o pé ou dar quatro passos seguidos.
  • A dor começou depois de torção, queda ou pancada, com inchaço ou mancha roxa.
  • Há vermelhidão e calor no pé, com ou sem febre.
  • A dor acorda você à noite ou continua em repouso.
  • Há dormência persistente ou perda de força para levantar o pé.
  • Você tem diabetes e notou dor, inchaço ou ferida no pé.
  • A dor não melhorou depois de duas semanas de cuidados em casa.

Como é feito o diagnóstico

Na consulta, o médico pergunta quando a dor começou, em que momento do passo ela aparece e o que mudou na rotina, como treino, calçado ou trabalho. Depois palpa os tendões, os ossos e as articulações do dorso, testa a força para levantar o pé e os dedos e observa a pisada.

  • Raio-x com apoio: feito com a pessoa em pé. Mostra artrose, bicos de osso, fraturas e o alinhamento do meio do pé. A fratura por estresse pode não aparecer nas primeiras duas ou três semanas.
  • Ultrassom: avalia os tendões extensores, cistos e derrames nas articulações.
  • Ressonância magnética: identifica fratura por estresse no início, lesão de ligamentos e inflamação nos ossos. O exame é explicado em ressonância magnética do pé e tornozelo.
  • Exames de sangue: ácido úrico e marcadores de inflamação, pedidos quando há suspeita de gota ou artrite.

Qual remédio tomar para dor no dorso do pé?

O remédio alivia a dor, mas não trata a causa. Por isso, o uso deve ser curto e orientado por um médico.

  • Analgésicos: paracetamol e dipirona reduzem a dor leve a moderada e são opções para quem não pode usar anti-inflamatório.
  • Anti-inflamatórios em comprimido: ibuprofeno, naproxeno e similares ajudam na tendinite, na crise de gota e na artrose. Não devem ser usados por conta própria por quem tem gastrite, úlcera, doença renal, pressão alta descontrolada, por gestantes ou por quem toma anticoagulante.
  • Anti-inflamatórios em gel: aplicados sobre o local, funcionam bem no dorso do pé porque os tendões ficam logo abaixo da pele, com menos efeito no estômago e nos rins.
  • Remédios para gota: a crise e o controle do ácido úrico exigem medicamentos específicos, sempre com receita.

Na suspeita de fratura por estresse, tomar remédio para continuar treinando piora a lesão. Se você precisa de analgésico por mais de cinco a sete dias para conseguir pisar, a causa precisa ser investigada.

Tratamento da dor no dorso do pé ao pisar

Medidas iniciais

  • Repouso relativo: suspenda corrida, saltos e caminhadas longas. Atividades sem impacto, como bicicleta e natação, costumam ser permitidas.
  • Gelo: 15 a 20 minutos, três a quatro vezes ao dia, com um pano entre o gelo e a pele.
  • Elevação: pé acima do nível do coração quando houver inchaço.

Ajuste do calçado e palmilhas

Use calçado com parte de cima macia e solado firme. No tênis, pule os ilhoses que ficam sobre o ponto dolorido e deixe o cadarço mais solto no peito do pé. Palmilhas com apoio no arco reduzem o movimento das articulações do meio do pé e a tensão nos tendões. Veja como escolher no artigo sobre palmilha para dor nos pés.

Imobilização

Fraturas por estresse e lesões de ligamentos são tratadas com sandália de solado rígido ou bota imobilizadora. Em fraturas do navicular e em lesões de Lisfranc, pode ser necessário ficar sem apoiar o pé, com muletas, por algumas semanas.

Fisioterapia

Inclui alongamento da panturrilha, fortalecimento dos músculos do pé e do tornozelo e correção da pisada. Na tendinite, o retorno à corrida é gradual, com aumento de volume a cada semana.

Infiltração

A aplicação de corticoide dentro da articulação, guiada por ultrassom ou raio-x, pode aliviar a dor da artrose do meio do pé por alguns meses. Não é feita dentro dos tendões.

Cirurgia

A maioria dos casos melhora sem operar. A cirurgia é indicada em situações específicas:

  • Lesão de Lisfranc com os ossos fora do lugar, que precisa de fixação com placas ou parafusos.
  • Fratura por estresse que não consolida ou fratura do navicular com desvio.
  • Artrose do meio do pé com dor persistente, tratada com retirada do bico de osso ou fixação da articulação.
  • Compressão de nervo que não melhora com ajuste de calçado.

Quanto tempo leva para voltar a pisar sem dor

Causa Tratamento principal Prazo médio de melhora
Calçado apertado Troca do calçado e ajuste do cadarço Alguns dias
Tendinite dos extensores Repouso relativo, gelo e fisioterapia 2 a 6 semanas
Crise de gota Medicação específica 3 a 10 dias
Fratura por estresse do metatarso Sandália rígida ou bota 6 a 8 semanas
Fratura por estresse do navicular Imobilização sem apoio 3 a 4 meses
Lesão de Lisfranc Imobilização ou cirurgia 3 a 6 meses
Artrose do meio do pé Calçado, palmilha, infiltração ou cirurgia Controle contínuo, com crises que duram semanas

Os prazos variam com a idade, o peso, a qualidade do osso e o respeito ao período de repouso.

Perguntas frequentes sobre dor no dorso do pé ao pisar

1. O que pode ser dor no dorso do pé ao pisar sem ter batido?

Sem trauma, as causas mais comuns são tendinite dos extensores, fratura por estresse, artrose do meio do pé e calçado apertado. A fratura por estresse aparece com esforço repetido, sem queda ou pancada.

2. Qual o melhor remédio para dor no dorso do pé?

Depende da causa. Analgésicos como paracetamol e dipirona aliviam a dor, e anti-inflamatórios em gel ou comprimido ajudam na tendinite e na artrose. A gota precisa de remédio específico. O uso deve ser curto e orientado por um médico.

3. Dor no dorso do pé ao pisar pode ser fratura?

Pode. A fratura por estresse causa dor em um ponto do osso, que piora ao caminhar e ao apertar o local. O raio-x pode ser normal nas primeiras semanas, e a ressonância confirma o diagnóstico.

4. Posso continuar caminhando ou correndo com dor em cima do pé?

Se a dor é leve e some com o repouso, reduza o volume e ajuste o calçado. Se ela aumenta a cada treino, faz você mancar ou vem com inchaço, pare a atividade de impacto até ser avaliado.

5. Dor no dorso do pé e inchaço é sinal de quê?

Inchaço com dor ao pisar aparece na tendinite, na fratura por estresse, na gota e nas lesões de ligamento. Se houver vermelhidão e calor ou se o inchaço surgiu depois de um trauma, procure atendimento logo.

6. Quanto tempo dura a dor no dorso do pé?

A dor por calçado apertado passa em dias. A tendinite leva de 2 a 6 semanas, e a fratura por estresse do metatarso, de 6 a 8 semanas. Dor que passa de duas semanas sem melhora precisa de avaliação.

Conclusão

A dor no dorso do pé ao pisar tem causas que vão de um cadarço apertado a uma fratura por estresse. O momento do passo em que ela aparece, o local exato e os sinais que a acompanham orientam o diagnóstico, que é confirmado pelo exame físico e por imagem. A maior parte dos casos melhora com repouso relativo, ajuste do calçado, remédio por poucos dias e fisioterapia.

Se o peito do seu pé dói a cada passo há mais de duas semanas, leve o seu caso ao Dr. Daniel Baumfeld e saiba o que está causando a dor ao pisar.