osso saltado em cima do pé- Daniel Baumfeld

Osso saltado em cima do pé: o que é e como tratar

O osso saltado em cima do pé é, na maioria das vezes, um bico de osso (osteófito) causado por artrose nas articulações do meio do pé, chamado de bossa dorsal. O tratamento começa com calçado folgado, proteção no local e anti-inflamatórios. A cirurgia remove o osso quando a dor persiste.

O calombo costuma ser duro, não se mexe ao toque e fica mais ou menos no meio do peito do pé, na altura em que o cadarço aperta. Muitas pessoas só percebem quando o sapato começa a machucar ou quando aparece uma dor em queimação que desce para os dedos.

Nem todo calombo em cima do pé é osso. Cisto, inchaço de tendão e sequela de fratura podem ter aparência parecida. Saber a causa define se basta trocar o calçado ou se é preciso retirar o osso.

O que é o osso saltado em cima do pé?

Osso saltado em cima do pé
O nome médico mais usado é bossa dorsal ou exostose dorsal. É um crescimento de osso na parte de cima do pé, quase sempre na junção entre os ossos do meio do pé (cuneiformes) e as bases do primeiro e do segundo metatarsos. Essa região se chama articulação tarsometatarsal, ou de Lisfranc.

Quando a cartilagem dessa articulação se desgasta, o corpo forma bicos de osso nas bordas, o que popularmente se chama de bico de papagaio. Como o dorso do pé tem pele fina e quase nenhuma gordura, esse osso fica visível e é pressionado diretamente pelo calçado.

O osso saltado é uma das várias causas de dor no peito do pé. As outras, como tendinite, fratura por estresse e gota, estão reunidas no guia sobre dor na parte superior do pé.

O que causa o osso saltado em cima do pé?

  • Artrose do médio-pé: é a causa mais comum. O desgaste da cartilagem aparece com a idade, com o excesso de peso ou depois de anos de sobrecarga, e os bicos de osso surgem nas bordas da articulação.
  • Sequela de trauma: uma lesão de Lisfranc ou uma fratura no médio-pé que não foi tratada ou consolidou fora do lugar pode deixar a articulação desalinhada e com desgaste precoce.
  • Pé cavo: o arco mais alto deixa o dorso do pé mais saliente e aumenta o atrito com o calçado.
  • Calçado apertado e esporte: chutes, saltos, ballet e calçados justos repetem microtraumas no peito do pé.
  • Hallux rigidus: a artrose na base do dedão forma um bico de osso em cima da articulação, que aparece como um calombo duro no dorso do dedão.
  • Variações anatômicas: ossos acessórios, como o os intermetatarseum entre o primeiro e o segundo metatarso, podem formar uma saliência desde a juventude.

Sintomas

  • Calombo duro e fixo no peito do pé, visível ao comparar com o outro lado.
  • Dor no local ao usar sapato fechado, bota ou tênis com cadarço apertado.
  • Vermelhidão, calo ou ferida na pele sobre o osso por causa do atrito.
  • Dor em queimação, choques ou dormência que descem para o espaço entre o dedão e o segundo dedo, quando o osso comprime o nervo fibular profundo.
  • Dor profunda ao caminhar, subir escada ou ficar na ponta dos pés, quando a artrose da articulação também está ativa.
  • Rigidez ao acordar ou depois de um tempo parado.

Osso saltado, cisto ou joanete: como diferenciar

Quadro Onde fica Como é ao toque
Bossa dorsal (osso saltado) Meio do peito do pé Duro, fixo, não muda de tamanho
Bico de osso do hallux rigidus Em cima da base do dedão Duro, com dor ao dobrar o dedão para cima
Cisto sinovial Em qualquer ponto do dorso Macio ou elástico, pode crescer e diminuir
Joanete Borda interna do pé, na base do dedão Duro, com o dedão desviado para os outros dedos
Joanete do dedo mínimo Borda externa do pé, na base do dedinho Duro, com atrito na lateral do calçado

O joanete, portanto, não é um osso saltado em cima do pé, e sim na lateral. Os sinais e o tratamento estão no conteúdo sobre sintomas e tratamento do joanete. Já o nódulo macio que muda de tamanho costuma ser cisto, abordado no artigo sobre cisto sinovial no pé.

Como é feito o diagnóstico

No consultório, o médico palpa o calombo, verifica se ele é duro ou macio, se dói ao ser pressionado e se a dor irradia para os dedos. Também avalia o formato do arco, a mobilidade das articulações e o calçado que a pessoa usa.

  • Raio-x do pé com apoio: é o exame principal. Mostra o bico de osso de perfil, o estreitamento da articulação e o alinhamento do médio-pé.
  • Ultrassom: diferencia osso de cisto e mostra se há inflamação ou compressão do nervo.
  • Ressonância ou tomografia: pedidas quando há suspeita de sequela de lesão de Lisfranc, de edema ósseo ou para planejar a cirurgia.

Qual o melhor tratamento para osso saltado em cima do pé?

O osso não desaparece sem cirurgia, mas a dor, na maioria das vezes, pode ser controlada sem operar. O objetivo inicial é tirar a pressão de cima do calombo e acalmar a articulação.

Calçado e amarração

Prefira calçados com cabedal macio, de tecido ou couro flexível, e evite botas de cano rígido e sapatos com fivela sobre o peito do pé. No tênis, pule os ilhoses que passam sobre o osso, deixando o cadarço firme no calcanhar e solto no ponto dolorido. Esse ajuste simples resolve o incômodo de muita gente.

Proteção no local

Almofadas de gel ou feltro com um furo no meio, colocadas ao redor do osso ou na lingueta do tênis, distribuem a pressão e protegem a pele contra calos e feridas.

Palmilhas

Palmilhas com apoio no arco reduzem o movimento da articulação desgastada e aliviam a dor ao caminhar. Palmilhas mais firmes, feitas sob medida, ajudam principalmente quem tem pé cavo ou artrose mais avançada.

Remédios e infiltração

Anti-inflamatórios em comprimido ou gel aliviam as crises de dor e devem ser usados com orientação médica. Quando a articulação continua inflamada, uma infiltração guiada por ultrassom ou raio-x pode reduzir a dor por meses. Ela não diminui o osso, mas acalma a artrose que está por trás.

Fisioterapia

Exercícios de mobilidade e fortalecimento do pé e da panturrilha melhoram a mecânica da caminhada e diminuem a carga sobre o médio-pé. Técnicas para reduzir a inflamação ajudam nas fases de piora.

Quando é preciso operar

A cirurgia é indicada quando a dor persiste por meses apesar do tratamento conservador, quando não é possível usar calçado fechado, quando o osso comprime o nervo e causa dormência ou quando a pele sobre ele se machuca com frequência.

  • Ressecção do osso (exostectomia): o cirurgião remove o bico de osso por um corte pequeno em cima do pé e, quando necessário, libera o nervo comprimido. É indicada quando o incômodo vem do atrito e a articulação ainda está razoavelmente preservada.
  • Artrodese: quando a artrose da articulação é a principal fonte de dor, a articulação é fixada com placas ou parafusos para que os ossos se unam. Como essa articulação tem pouco movimento natural, a fixação costuma ser bem tolerada.
  • Queilectomia: quando o calombo está em cima da base do dedão, por hallux rigidus, retira-se o bico de osso preservando a articulação. O pós-operatório desse caso está no conteúdo sobre recuperação da cirurgia de hallux rigidus.

Recuperação após a cirurgia

Procedimento Proteção Volta ao calçado comum
Ressecção do osso Sapato pós-operatório por 2 a 3 semanas 4 a 6 semanas
Artrodese do médio-pé Bota e apoio restrito por 6 a 8 semanas 3 a 4 meses

O inchaço no peito do pé pode durar alguns meses. Depois da ressecção, o osso pode voltar a crescer anos mais tarde se a artrose de base continuar avançando. Mais informações sobre o desgaste dessas articulações estão no artigo sobre artrose no pé e tornozelo.

Perguntas frequentes sobre osso saltado em cima do pé

1. Osso saltado em cima do pé é grave?

Na maioria dos casos, não. É um bico de osso ligado à artrose do meio do pé. O incômodo principal é a dor com o calçado, que costuma melhorar com ajustes simples. Calombo que cresce rápido, dói muito à noite ou apareceu depois de um trauma precisa ser avaliado logo.

2. O osso saltado some sozinho?

Não. O osso formado não é reabsorvido. O que melhora com o tratamento é a dor e a inflamação ao redor dele.

3. Calombo duro em cima do pé pode ser cisto?

Pode. O cisto sinovial também aparece no dorso do pé, mas costuma ser mais macio e pode mudar de tamanho. O ultrassom diferencia com facilidade o cisto do osso.

4. Osso saltado em cima do pé é joanete?

Não. O joanete fica na borda interna do pé, na base do dedão, e vem com o dedão desviado. O osso saltado em cima do pé fica no dorso, geralmente no meio do peito do pé.

5. Qual o melhor calçado para quem tem osso saltado em cima do pé?

Modelos com cabedal macio e flexível, sem costura ou fivela sobre o calombo, e tênis em que dê para ajustar o cadarço pulando os ilhoses do ponto dolorido.

6. A cirurgia para tirar o osso do pé é simples?

A retirada do bico de osso é um procedimento curto, com volta ao calçado comum em 4 a 6 semanas. Quando é preciso fazer artrodese, a recuperação é mais longa, de 3 a 4 meses.

Conclusão

O osso saltado em cima do pé costuma ser um bico de osso causado por artrose no meio do pé. Ele não desaparece sozinho, mas a dor pode ser controlada na maioria dos casos com calçado adequado, proteção no local, palmilhas e remédios. A cirurgia fica para quem continua com dor, não consegue usar sapato fechado ou tem compressão do nervo.

Se o calombo no seu pé está atrapalhando a rotina ou machucando no calçado, converse com o Dr. Daniel Baumfeld sobre as opções para tratar o osso saltado no seu pé.